Entrevista com Nelson Campelo, CEO da Ustore

Startup pernambucana aposta na nuvem

Nelson Campelo está à frente da Ustore, que fornece soluções para administrar grandes volumes de dados

Nelson Campelo

Trocar o comando da operação brasileira de uma multinacional para se tornar sócio numa startup é uma escolha pouco usual entre os executivos da área de tecnologia da informação do país.

No entanto, Nelson Campelo, hoje CEO da Ustore, empresa que surgiu no Porto Digital, em Pernambuco, decidiu trocar a maturidade de um negócio estabelecido pelos desafios impostos pelo empreendedorismo. E o que ajudou Campelo a optar por esse novo universo foi justamente a inovação presente na tecnologia da Ustore.

“Cloud computing é uma tecnologia que está na crista da onda no mercado de TI brasileiro e a demanda tende a aumentar. O problema é que muitas empresas não conseguem traduzi-las ao cliente, cada vez mais próximo da tecnologia em seu negócio. E nós fazemos isso”, conta o executivo, que foi presidente da Avaya no País.

A Ustore foi criada em 2007 por um doutorando em segurança de sistemas na Universidade Federal de Pernambuco. O principal item de seu portfólio, software para administrar grandes volumes de dados na nuvem, tem atendido a demanda principalmente de instituições ligadas ao poder público, como o Exército e, mais recentemente, a Telebrás.

Apesar de o Governo representar hoje o principal cliente da empresa, Campelo afirma que a demanda na esfera privada pela plataforma da Ustore tem crescido por conta do aumento do número de provedores de nuvem privada no mercado.

A seguir, os principais trechos da entrevista exclusiva do executivo ao Futurecom All Year.

A plataforma de estruturação de dados, carro-chefe do portfólio da Ustore, foi desenvolvida com base em qual gargalo do mercado nacional?

Nos últimos anos, cresceu a preocupação com segurança nas empresas e, principalmente, na esfera pública. Casos recentes de espionagem acenderam o alerta vermelho nos departamentos de TI. Com isso, nos desenvolvemos uma solução que estrutura grandes volumes de dados e os armazena com um nível alto de segurança. A diferença é que isso é vendido com um serviço, o que acaba reduzindo os custos para o cliente, que nem sempre tem estrutura para ter uma nuvem interna.

Por conta do perfil da estrutura de TI na esfera pública, podemos concluir que o governo é o principal cliente da Ustore hoje em dia?

Nossa plataforma foi criada para atender ambos os tipos de clientes, empresas públicas e privadas. A demanda da esfera pública tem sido grande por conta do aumento da preocupação com casos de espionagem. Apesar disso, no entanto, nosso portfólio é desenvolvido para qualquer tamanho de empresa. Hoje o governo é nosso principal cliente. Lideramos um projeto de nuvem recentemente com o Exército Brasileiro e outro com a Telebrás, que prevê a construção de uma solução para o sistema educacional.

Como o senhor vê o mercado brasileiro de cloud no Brasil atualmente? Ele está saturado ou ainda há espaço para novos players explorá-lo?

Hoje em dia existe uma dúvida no mercado de nuvem: quem oferece o quê? Muitas empresas oferecem muitas coisas. O mercado, na nossa visão, não está saturado porque há espaço para negócios especializados, negócios de nicho. Ainda não podemos dizer que o mercado está consolidado.

Quais fatores determinaram sua mudança da Avaya para a Ustore? A escolha segue de acordo com as suas expectativas?

Este novo desafio superou minhas expectativas. A Ustore teve uma boa percepção do mercado de nuvem antes de criar a plataforma de cloud e isso construiu os fatores que moldaram minha decisão de partir para este novo desafio. Um deles foi a tecnologia moldável e escalável. Cloud computing é uma tecnologia que está na crista da onda do mercado de TI brasileiro, o problema é que muitas empresas que atuam no segmento não conseguem traduzi-la para as diversas camadas de clientes que existem. E essa mudança de paradigma e suas consequentes reestruturações na indústria acontecem de maneira mais rápida em empresas menores.

 

Por Bruno de Oliveira