Entrevista com Rui Paiva, CEO da WeDo

O que significa digitalização no mercado de telecomunicações

Rui Paiva, da WeDo, destaca que as operadoras precisam se libertar do legado tecnológico

 

As operadoras de telecomunicações precisam passar por um processo de digitalização, para deixarem de lado a burocracia e tornarem-se mais ágeis.

Essa é a opinião de Rui Paiva, fundador e presidente executivo da WeDo Technologies.

“Há empresas no mundo que estão a fazer quase um spinoff de uma nova empresa vazia. Essa empresa nasce do ponto de vista tecnológico já limpa, sem legado, para atender novos clientes”, explicou o executivo, em entrevista exclusiva ao Futurecom All Year. “E depois, no final, clientes existentes na antiga empresa são migrados para a nova, completamente digital e limpa de conceitos e burocracias passadas.”

Paiva destacou que as empresas brasileiras já passaram por um processo parecido quando criaram suas operações celulares: “Nosso primeiro cliente no Brasil foi a Oi, e a Oi fez exatamente isso. Fez uma empresa nova, um spinoff que era filha da Telemar.”

Competição

Para o presidente da WeDo, a melhor maneira de conviver com os aplicativos que oferecem serviços que concorrem com as telecomunicações, também chamados de over the top (OTT), é oferecer a melhor conexão para eles.

“As pessoas não querem usar os aplicativos das operadoras, querem usar os melhores aplicativos que existem no mundo”, afirmou Paiva. “O que as operadoras têm de fazer é garantir que são o melhor canal para se chegar a esses aplicativos. E, se possível, com acordo de exclusividade que permita que sejam os únicos a terem acesso a esses aplicativos.”

O executivo acredita que o soft SIM vai aumentar a competitividade das operadoras no mercado de internet das coisas (IoT, na sigla em inglês). Com essa tecnologia, o cartão responsável pela conexão com a operadora é embutido no aparelho e pode ser configurado por software, sem a necessidade de ser trocado fisicamente.

“A internet das coisas é um negócio que vai utilizar ou não os canais das operadoras, se eles forem os mais baratos e eficientes” explicou o executivo. “Mas, se não forem os melhores canais, algum espectro vai ser utilizado, que poderá não ser das operadoras. Então, as operadoras têm de se tornar realmente eficientes, de modo a serem os canais para esse tipo de transação.”

Para saber mais, acompanhe a entrevista exclusiva em vídeo de Rui Paiva, da WeDo, para o Futurecom All Year.

 

Por Renato Cruz