Entrevista com Eduardo Parajo, Presidente da Abranet

Pequenos provedores investem em fibra

Setor ainda precisa de linhas de financiamentos de longo prazo.

Eduardo Parajo, presidente da Abranet, confirma o interesse crescente dos pequenos e médios provedores em utilizar fibra óptica para ampliar a capacidade de banda disponibilizada aos usuários finais. Mas o investimento poderia ser maior se, em vez de ter de contar principalmente com recursos próprios, esse segmento tivesse acesso a linhas de crédito de prazos mais longos.

A vida útil de uma instalação de fibra óptica chega a 25 anos, mas os empresários nem sonham com um prazo de amortização tão elástico. Já ficariam satisfeitos com um financiamento com juros mais baixos e prazo de pagamento que não exigisse que o custo fosse todo descarregado na conta dos clientes.

O custo elevado dos equipamentos é também o obstáculo para que pequenos e médios provedores possam oferecer serviços TV. Além disso, a situação econômica do país interrompeu o crescimento do mercado em índices expressivos que vinha ocorrendo nos últimos anos. Medidas recentes, como o fim da desoneração da folha de pagamento, contribuem para alimentar a expectativa de expansão menor neste segundo semestre.

Se perdem em capacidade financeira, os pequenos e médios provedores ganham em agilidade em outras iniciativas. Segundo Parajo, há muito tempo esse segmento vem demonstrando um bom desempenho no que se refere à migração para a versão 6 do protocolo de internet (IPv6). Ele acredita que o trabalho até supera o realizado por operadoras de grande porte.

Segundo Parajo, ainda há um gargalo no lado dos grandes provedores, que demoraram demais para tomar ciência do tamanho do problema e avançar na implementação do IPv6. Existe uma “reserva técnica” de IPv4, que ainda pode ser utilizada, mas que não é suficiente.

Já em relação ao Marco Civil da Internet, Parajo reconhece o esforço conjunto de órgãos do governo, entidades privadas e sociedade como um todo, mas alerta: não se pode reinventar a roda.

Em outras palavras, neste momento é preciso ater-se exclusivamente às exceções técnicas mais evidentes à neutralidade de rede. E cita duas: o bloqueio da porta 25, um trabalho excepcional que tirou o Brasil de uma posição vergonhosa entre os geradores de spam, e a necessidade de combater os ataques que as redes sofrem diariamente.

Veja o vídeo e conheça em detalhes as avaliações e opiniões do presidente da Abranet.

 

Por Renato Cruz e Nilton Tuna Mateus