Futurecom 2016: saiba tudo sobre o primeiro dia

Antes do meio-dia alguns painéis já movimentavam os debates na 18a edição do maior e mais qualificado evento de internet, TI e Telecomunicações da América Latina

A Associação Brasileira de Internet (ABRANET) iniciou as atividades do evento com o seu seminário FutureNet, que contou com a participação de diferentes painelistas, incluindo representantes de algumas startups. Nesse contexto, o primeiro painel abordou a importância das empresas de internet no desenvolvimento de negócios de impacto social, como é o caso da Tá-Na-Hora, empresa que utiliza da tecnologia para democratizar o acesso à informação sobre saúde, atendendo setor público, empresas e qualquer pessoa que que possua celular.

“Nós utilizamos a tecnologia chatbot via SMS para levar informação até o usuário que não tem acesso. Percebemos essa necessidade principalmente nas classes C, D e E, então, uma gestante que precisa de informações, por exemplo, mas não tenha como fazer acompanhamento médico, pode tirar as principais dúvidas sobre gravidez a partir do celular, e tudo isso de maneira personalizada, levando em consideração até mesmo o período gestacional”, explicou Michael Kapps, empreendedor canadense fundador da Tá-Na-Hora.

Fotos: Studio F - Fotos FUTURECOM 2016, São Paulo-SP www.studiofimagem.com.br
Fotos: Studio F – Fotos FUTURECOM 2016, São Paulo-SP

Em paralelo, no auditório Brasil, TIM, Vivo, Oi, Dell, Nokia, Dell e outras empresas debatiam as estratégias de evolução das atuais redes para a adoção de SDN e NFV, bem como o comportamento dos novos modelos operacionais para maior agilidade dos negócios. Renata Marques, representante da DellEMC, destacou a necessidade do segmento apresentar soluções de estratégia coerentes com o mercado: “não podemos oferecer uma estrutura de NFV estática enquanto o maior principio dessa tecnologia é a desagregação”.

Os ISPs também foram tema dos painéis que iniciaram as atividades do congresso do Futurecom 2016. Ainda pela manhã, no auditório México, empresas do segmento e órgãos reguladores debateram a universalização da banda larga em pequenas e médias localidades. Além dos desafios existentes para as empresas quando o assunto é a regulamentação do setor, outros pontos foram destacados, como a funcionalidade que os pequenos provedores apresentam ao mercado. “A proximidade dos ISPs com o cliente final é uma das condições que mais favorecem o desenvolvimento do mercado. Isso colabora para que as entidades reguladoras tenham mais informações sobre as necessidades dos usuários”, afirmou Basílio Perez, presidente da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint).

No início da tarde a coletiva de imprensa da TIM Brasil movimentou o debate sobre inovação, conectividade e mobilidade. Luis Minoru, diretor de estratégia e inovação da operadora destacou que o movimento de mudanças que a empresa começou há tempos se deu pela mudança de cenário no segmento. “Antes o contexto era de voz, agora é de dados, por isso a nossa área de inovação cresceu ainda mais. É necessário trabalhar com novos atores, como startups, por exemplo, a fim de acompanhar as tendências e oferecer serviços sempre melhores”.

Além disso, o investimento da empresa na cobertura 4G 700MHz também foi pontuado no debate. Os representantes da empresa mostraram que o investimento nessa tecnologia foi de 3 bilhões de reais – levando em consideração o arremate da banda em 2014, e o desenvolvimento dela até hoje – e que isso significa muito para outros mercados. “Não existe internet das coisas sem conectividade. Não existe inovação sem conectividade móvel de qualidade, então a cobertura via 700MHz da TIM também é um investimento vantajoso para outros segmentos específicos, como o de IoT”, explicou Leonardo Capdeville, diretor de tecnologia da operadora. A cobertura 4G em 700MHz foi arrematada pelas três maiores operadores do país em 2014. Ao todo, estima-se que o governo arrecadou aproximadamente 6 bilhões de reais na transação.

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Dando continuidade à programação, o auditório Brasil foi palco para uma discussão que preocupa muito o setor de telecom: a transformação digital. Em linhas gerais, os representantes das empresas convidadas destacaram que um dos grandes desafios dessa mudança é garantir o retorno financeiro dos ativos de que as empresas já dispõem, mesmo em uma era completamente digital. “É inegável: apenas sendo digital as empresas conseguem melhorar ou garantir um atendimento de qualidade aos clientes, por exemplo, mas as nossas estratégias digitais precisam ser pensadas para garantir eficiência financeira, esse é um dos desafios mais presentes nessa transformação”, afirmou Fernando Moulin, diretor de experiência digital da Telefônica/Vivo.

Solenidade de abertura

Às 20h, no auditório Brasil, a solenidade de abertura do Futurecom 2016 teve início com a banda da Polícia Militar do estado de São Paulo, que percorreu os corredores do espaço animando os presentes e tocando clássicos e músicas populares.

Logo em seguida, a jornalista Christiane Pelajo abrilhantou o evento com sua presença e foi a responsável por receber os convidados para a mesa de abertura. Entre os presentes, autoridades como o senhor Juarez Quadros, presidente da Anatel; o senhor Manoel Rangel Neto, presidente da Ancine; o deputado federal, Vitor Lippi, membro da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara Federal; e também o senhor Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab,

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As falas de abertura, em linhas gerais, convergiram para um mesmo ponto: a necessidade do setor de telecomunicações superar os desafios que o ano de 2016, bastante conturbado no contexto nacional, apresentou, o que garantirá, de acordo com os componentes da mesa, desenvolvimento para o país, a partir da capilarização dos bons resultados. “Diferentes mercados são beneficiados quando os setores de TI, Telecom e Internet se desenvolvem O cinema nacional se de desenvolve, a economia se desenvolve”, afirmou Neto.

Em concordância com a exposição de Neto, o Ministro Gilberto Kassab iniciou sua fala reiterando o compromisso do Governo Federal com o desenvolvimento dos setores acima citados. “O Governo Federal reafirma que criará melhores condições de investimentos para melhorar a qualidade dos serviços e expandi-los para toda a população brasileira”. O evento continua até o dia 20 com diferentes painéis temáticos no congresso internacional que faz parte da programação, e também com a exposição de empresas de telecom, TI e internet nacionais e internacionais.

Sobre o Futurecom

O Futurecom, evento mais importante de Telecomunicação e Tecnologia da Informação na América Latina, completa 18 anos e está sendo realizado na cidade de São Paulo, de 17 a 20 de outubro, no Transamerica Expo Center. Ao longo de sua história, o evento teve a presença de mais de mil expositores diferentes e mais de cem mil visitantes.

Surgido em 1998, na cidade de Foz do Iguaçu, o Futurecom foi transferido, posteriormente, para Florianópolis, onde aconteceu entre 2001 e 2007. A partir de sua décima edição, passou a ser realizado em São Paulo, com duas realizações no Rio de Janeiro em 2012 e 2013. No ano passado, o Futurecom contou com a participação de 14.000 participantes de 48 países, reunindo 30 empresas expositoras de vários continentes.